Este ano tivemos um mercado de transferências bem agitado. No plano nacional, saúda-se a entrada de vários jogadores de classe superior que, seguramente, melhorarão o nível(baixo) de futebol a que estamos habituados na nossa liga.
Ora e então não é que, quando o mercado parecia acalmar e as equipas já pareciam ter os seus planteis estabilizados, uma transferência agita com os amantes de futebol em Portugal.
Não, não falo de Angulo.
A Selecção da Federação Portuguesa de Futebol(S.A.D.?) adquiriu os direitos desportivos do jogador Liédson da Silva Muniz(conhecido simplesmente por Liédson) com duração indefinida.
(Enquanto escrevo este texto vários pensamentos passam pela minha cabeça, no entanto vou tentar minimamente objectivo e politicamente correcto)
A selecção nacional devia ser (e, até a relativamente pouco tempo, o foi) a fronteira entre o futebol-negócio e o futebol-paixão. Devia ser uma competição mais saudável, onde a integridade e os valores deveriam superiorizar-se á vontade de ter sucesso sem olhar a meios. Onde as várias nações se gladiariam pelo amor ao país onde nasceram, onde o representar o país era o expoente máximo da sua carreira.
Devia ser uma equipa formada pelos jogadores que tivessem nascido em Portugal ou, pelo menos, se tivessem formado "futebolísticamente" no nosso país. Ora nada disso aconteceu com ele. Tem 31 anos(nasceu a 17 de Dezembro de 1977), veio para Portugal em 2003!! Não está em causa o valor do jogador neste caso específico(ou de casos anteriores, como Deco ou Pepe), mas sim a maneira de estar no desporto. Liédson é, para o Queiroz e Merdail(denominação carinhosa de Sérgio Conceição- jogador que, goste-se ou não, sempre deu tudo na selecção, um verdadeiro símbolo), o seu D. Sebastião, uma réstia de esperança para que se consiga qualificar para África do Sul 2010 e, desta forma, esconder as suas incompetências.
Não esperava que o professor Queiroz, responsável segundo muitos pelo salto competitivo do futebol português em finais de 80/princípios de 90, se descartasse das suas convicções e pusesse em causa a sua forma de estar no futebol. Tinha-o como uma pessoa íntegra. Errei. Não me esqueço das críticas feitas no ultimo europeu nos cadernos especiais d'A bola ou do Record, não me recordo em qual, em que dizia que as selecções deveriam acabar, porque só prejudica o trabalho efectuado nos clubes. Partilho dessa ideia. É preferível que se acabe com a selecção do que retirar-lhe toda a sua dignidade.
O argumento principal dos apoiantes deste fenómeno é que o já foi aberto um precedente e que outras nações também o fazem. Dessa forma, também um serial killer em tribunal tem como "desculpa" que os seus actos já foram feitos no passado e noutros países, pelo que, com sorte, em vez de condenado receba uma menção do presidente da república!(peço desculpa pela analogia descabida, serve apenas como exemplo)
Para a dupla Queiros/Merdaíl, tenho uma sugestão: Carlão. O avançado é visto como o novo Liédson, é preciso mais? Falem com o empresário e prometam-lhe um passaporte Português. Seremos ainda mais fortes!
Não sou simpatizante(deixei de o ser a algum tempo) e muito menos sócio, mas no dia em que a Selecção se formar S.A.D. talvez compre algumas acções, que este projecto rende bom dinheiro a várias "intervenientes do fenómeno desportivo". Utilizando o raciocínio geral: se outros o fazem, porque razão ficar para trás?